E por falar em saudade…

Dali nasciam os namoros, as paixões, as desilusões, os roeres regados a cachaça que afogava mágoas, as primeiras poesias falando de amor eterno, os poemas chorados nas mesas de Mirô Arruda, as serenatas inocentes que clamavam à amada o sim que foi negado no tremor de primeira declaração de amor.

Hoje acordei cheio de lembranças. Lembranças, por exemplo, dos assustados dançantes. E a saudade que sinto me faz olhar o horizonte distante acreditando na volta dos meus fantasmas juvenis, cheios de amores e tentares, de saudades e desejos, de sonhos e de noites indormidas, todos eles perdidos na longa caminhada que me transportou da meninice namoradeira para a fase intermediária da vida.

“Assustados” que antecediam os namoros, os flertes acanhados de iniciantes, os primeiros suspiros de paixão, os beijos primeiros em lábios encarnados como a flor orvalhada que desabrocha para o sol nascente.

Noites dançantes que serviam como única diversão para jovens que não pensavam na existência de outro mundo que não fosse aquele pequenino chão de uma Princesa escondida entre serras sertanejas, friorenta e por isso propícia a amores apertados, com seus casarões a guardar fantasmas de cangaceiros e heróis, de amantes mortos pela vingança dos traídos, de histórias misteriosas que se transformavam nos nossos primeiros medos.

Roberto Carlos dizia como era grande o seu amor pela amada, suspirava os detalhes das suas paixões entre lençóis com perfumes de rosas, enquanto os pares deslizavam pela sala de visita da casa anfitriã, rostinhos colados, peitos amassados em dorsos masculinos, coxas roçando coxas num exercício de desejo, cheiro de jasmim subindo pela nuca da cabrocha amada, vontade de transformar aquilo num eterno sonhar.

Dali nasciam os namoros, as paixões, as desilusões, os roeres regados a cachaça que afogava mágoas, as primeiras poesias falando de amor eterno, os poemas chorados nas mesas de Mirô Arruda, as serenatas inocentes que clamavam à amada o sim que foi negado no tremor de primeira declaração de amor.

Tião Lucena, nascido e criado em Princesa Isabel, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá. Nos três primeiros desempenhou as funções de repórter, editor político, editor do interior, chefe de reportagem e secretário de redação. Também foi vice-presidente da API e diretor do Sindicato dos Jornalistas. Cansou de trabalhar em jornais, cansou de patrões e resolveu criar um espaço somente seu na internet, onde pretende fazer um jornalismo sem cabresto e sem censura.

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